26 Marzo, 2008 04:07
Os frutos do Plano Colômbia
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Os frutos do Plano Colômbia
2008-03-14
Raúl Zibechi*
O
operativo militar executado por militares colombianos em solo
equatoriano para matar o dirigente das FARC Raul Reyes, é
parte da estratégia dos EUA para alterar o equilíbrio
militar da região. Na mira está o petróleo da
Venezuela e do Equador, porém também está em
xeque o Brasil como potência regional emergente.
Nas declarações, o objetivo são as FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), ou seja o narcoterrorismo. Porém, na realidade o operativo militar colombo-estadunidense que vulnerabilizou a soberania do Equador aponta diretamente para Hugo Chávez. Estamos vivendo o que podería ser a primeira fase de uma vasta ofensiva para desestabilizar o processo bolivariano e modificar a relação de forças na América do Sul.
A estratégia foi sendo implementada por etapas. Primeiro foi o Plano Colômbia para fortalecer a capacidade militar do Estado colombiano e coloca-lo entre os mais poderosos do continente. Depois, começou o “derrame” da guerra interna colombiana sobre os países vizinhos. A terceira etapa parece ser a “guerra preventiva”, que se converteu em uma destacada estratégia militar do Pentágono logo depois dos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001.
É a primeira vez em muito tempo que Washington toma a ofensiva na região e é capaz de colocar uma porção importante dos países latino-americanos atrás da sua estratégia. É também uma ostentação de força no momento que o governo de Hugo Chávez atravessa sérias dificuldades internas e não consegue apoios paraa sua estratégia de responder tensão com mais tensão.
Em primeiro lugar o que chama a atenção é a falta de pudores dos atores. As FARC se apresentam como uma organização revolucionária e popular porém, na realidade, são um grupo armado que viola os direitos humanos, recruta menores à força, abusa das mulheres e dos reféns que mantém em seu poder e se financia graças ao narcotráfico. Muitos países a consideram terrorista.
Por outro lado, o presidente Álvaro Uribe Vélez integrou o narcotráfico e foi aliado dos paramilitares, como está registrado no Arquivo de Segurança Nacional dos Estados Unidos revelado pela revista Newsweek em 2004. Ali, aparece que Uribe fazia parte, no início dos anos 90, do Cartel de Medelin, comandado pelo narcotraficante Pablo Escobar, de quem era amigo íntimo [1]. Esse é o tipo de pessoa que George W. Bush definiu em 4 de março deste ano como “nosso aliado democrático”. Uribe se converteu no principal operador das políticas da casa branca na região.
Novo equilíbrio regional de forças
Em 2004
uma revista militar brasileira (Military Power Review) elaborou um
ranking das forças armadas sul-americanas incluindo todas as
variáveis: desde a quantidade de efetivos e a qualidade do
equipamento até os planos de defesa e a projeção
estratégica. A análise estabeleceu uma pontuação
a cada nação de acordo com seu poderio militar. Em
primeiro lugar aparecia o Brasil com 653 pontos; em uma segunda
colocação aparecia o Perú com 423 pontos,
Argentina com 419 e Chile com 387. Logo vinha outro grupo em que
estava a Colômbia com 314, depois a Venezuela com 282 e o
Equador com 254 pontos [2]. Naquele momento, há apenas
4 anos, a diferença a favor das forças armadas do
Brasil era considerável, enquanto era seguido por dois grupos
de países relativamente emparelhados entre si.
Em 2007 a mesma revista difundiu dados sobre a quantidade de efetivos das diferentes forças armadas em cada país com cifras do ano anterior. Os dados dos exércitos permitem concluir que a Colômbia (178.000 soldados) se situou em segundo lugar no continente muito próxima do Brasil (190.000 soldados). Em poucos anos, o poderio militar desse país escalou posições em forma geométrica. Nesse mesmo ano o exército da França tinha 137.000 efetivos e o de Israel 125.000. Para 2008 já são 210.000 os efetivos terrestres da Colômbia, superando dessa forma o Brasil que tem uma população 4 vezes maior e 7 vezes a superfície colombiana. O gasto militar da Colômbia é o maior do continente: 6,5% do PIB, muito acima do gasto dos EUA (4%), dos países da OTAN (2%) e do resto da América do Sul (1,5 a 2%).
Se observarmos a progressão das forças armadas da Colômbia, seu crescimento é assombroso. Em 1948, quando aconteceu o assassinato de Jorge Eliécer Gaitán que deu início à “La Violência”, haviam 10.000 militares. Em 1974 já eram 50.675 para subir até 85.900 em 1984, no período que começaram as negociações de paz para a desmobilização de várias organizações armadas. Para 1994 havia 120.000 efetivos que se elevaram a 160.000 nas primeiras fases do Plano Colômbia. Neste momento, as três armas das formas armadas colombianas têm 270.000 uniformizados aos quais se somam 142.000 policiais. No total, mais de 400.000 pessoas em armas em sete divisões, com uma Força de Deslocamento Rápido e uma agrupação de Forças Especiais Anti-terroristas [3].
Só em 2007 o exército criou 52 novas unidades. Recebeu doações de helicópteros Black Hawk dos Estados Unidos, comprou 13 aviões de caça de Israel e 25 aviões de combate Super Tucano do Brasil em 2006. As forças armadas da Colômbia são muito superiores às de seus vizinhos. A relação de efetivos é de seis pra um com a Venezuela e de onze a um com o Equador. Porém, a principal diferença é que se trata de tropas treinadas em combate de selva e que contam com respaldo logístico de Washington [4].
Em pouquíssimos anos, se produziu na América do Sul uma virada espetacular do poderio militar. É resultado do Plano Colômbia. Com a desculpa de combate às FARC e ao Narcotráfico, desde agosto de 2000, quando o Congresso dos EUA aprovou o Plano Colômbia, este país recebeu U$ 5,225 bilhões de ajuda militar. A isso se soma a aplicação do governo de Uribe de impostos especiais aos setores de maior rendimento econômico para equipar as forças armadas. Helicópteros de transporte e ataque, armamento leve, óculos infra-vermelhos, proteção de oleodutos, lanchas rápidas, aviões turbohélice de ataque à terra, aviões de inteligência, controle e radares para seguir vôos ilegais, são as principais aquisições [5].
Envolver os vizinhos
Em 2003, o sociólogo James Petras apontava que a verdadeira
preocupaçao do Comando Sul dos Estados Unidos, quem realmente
desenha a política regional, é que “os países
vizinhos da Colômbia (Equador, Venezuela, Brasil e Panamá),
que estão sofrendo os mesmos efeitos adversos das políticas
neoliberais, se mobilizem politicamente contra a política
militar e os interesses econômicos dos Estados Unidos [6].
Por isso a estratégia contemplada pelo Plano Colômbia não consiste tanto em ganhar a guerra interna mas espalhar-la pelos países visinhos como forma de neutralizar sua crescente autonomia em relação à Washington. Militarizar as relações inter-estados sempre é um bom negócio para quem apóia sua hegemonia na superioridade militar. Nesse sentido, a existência das FARC é funcional aos planos belicistas de Washington.
Rafael Correa mencionou que o custo de controlar a fronteira com a Colômbia, aonde tinha destacados 10.000 efetivos antes da incursão de 1º de março, supera os cem milhões de dólares anuais. A Colômbia não controla essa fronteira e empurra a guerrilha até o solo equatoriano, como forma de produzir desestabilização. Nos últimos anos, o Equador desmantelou em torno de 40 acampamentos das FARC na sua fronteira e apresentou dezenas de queixas pela fulmigação de supostos cultivos de coca que terminam afetando a população equatoriana fronteiriça. O Brasil decidiu impermeabilizar sua fronteira já nos tempos de Fernando Henrique Cardozo. Em resposta à intenção da administração Clinton de implicar-lo nos objetivos do Plano Colômbia, já em 2000 colocou em marcha o Plano Cobra (das iniciais de Colômbia e Brasil) para evitar que a guerra nesse país se desdobrasse sobre a Amazônia brasileira, e o Plano Calha Norte para evitar que guerrilheiros e narcotraficantes cruzem a fronteira [7].
O controle da região andina é considerada chave para a hegemonia estadunidense no continente, tanto por razões políticas como pela riqueza mineral que ela contém. Permite que as multinacionais estadunidenses recuperem o terreno perdido desde que na década de 90 foram parcialmente substituídas pelas européias; asseguraria por outros meios o que se pretendia através da ALCA (Área de Livre Comércio das Américas) ; impede que outras potências emergentes (Brasil, China e Índia) se posicionem na região.
Porém, existe também a vertente petróleo. Em 1973, os Estados Unidos importou 36% das suas necessidades petroleiras. Hoje em dia os Estados Unidos importa 56% do petróleo que consome. A Venezuela é o quarto provedor, que abastece 15% das suas necessidades, e a Colômbia o quinto provedor [8]. Assegurar o fluxo do recurso energético requer um controle territorial de enclave com presença militar sobre o terreno.
A desestabilização da Venezuela
Desde a derrota do governo Chávez no referendo para a reforma
da Constituição, o 4 de dezembro de 2007, a tensão
interna e regional deu vários passos adiante. Como
prognisticaram vários analistas , a crise econômica
parece fora de controle e está gerando problemas nas relações
entre o governo e a população [9]. Parece ser
uma boa ocasião para tentar a desestabilização.
Efetivamente tudo indica que Raul Reyes, a cara mais visível das FARC por causa de seu caráter negociador, havia sido localizado em ocasiões anteriores mas nunca se decidiu atacá-lo. A decisão de desencadear uma ação desse tipo, neste momento, teria várias leituras. Por um lado, aproveitar a situação interna da Venezuela, mas também abalar a governabilidade de Rafael Correa que está no começo de um programa de transformações que têm no controle estatal do petróleo um dos seus eixos principais, e em uma sólida aliança com o Brasil um ponto de apoio essencial.
Porém, uma desestabilização da região também teria efeitos muito nocivos para o Brasil, a potencia regional emergente que está saindo fortalecida da crise econômica mundial em curso. Em 2007 o Brasil teve um aumento de 84% de investimentos estrangeiros diretos em relação a 2006 e em janeiro de 2008 o dobro que o mesmo mês do ano anterior. Com razão, a revista Exame publica um informe que assinala que o país vive o melhor momento econômico em três décadas e que tem a oportunidade de entrar na elite do capitalismo mundial [10].
Ocupar esse lugar pressupõe substituir outros. Ou seja, Brasil está preenchendo o vazio que a crescente debilidade de Washington está deixando. Por isso sua diplomacia joga pela paz: para promover os negócios e para podar o militarismo que sempre é o melhor negócio para uma superpotência em decadência. Clovis Brigagao, diretor do Centro de Estudos Americanos da Universidade Cândido Mendes do Rio de Janeiro, assinalou que o momento atual é uma oportunidade única para estabelecer uma mediação coletiva similar ao Grupo de Contadora que nos anos 80 promoveu a pacificação da América Central [11].
Por último, a Venezuela está sofrendo um tipo de desestabilização que pode ser um modelo para aplicar-se em outros países. Júlio Garcia Jarpa, deputado do estado de Táchira, fronteira com a Colômbia, observa a extensão na Venezuela do fenômeno paramilitar. “Diante do plano de desmobilização do paramilitarismo na Colômbia, alguns grupos se concentraram na fronteira com os estados venezuelanos Apure, Zulia, Mérida, Táchira e Trujillo [12]. De lá contrabandeam gasolina, monopolizan alimentos e contribuem para gerar insegurança, corrompendo funcionários e gerando um clima de violência.
Esses estados conformam um terço do país e são os que contam com os recursos de hidrocarbonetos mais importantes e estão incluídos, segundo denuncia o deputado venezuelano, em um plano de secessão como o que promovem os departamentos de Santa Cruz e Tarija na Bolívia. Depois do ocorrido no Kossovo, aonde a independência promovida pelo ocidente parece ligada ao negócio petroleiro, a tese de que a direita venezuelana, apoiada pelos interesses estadounidenses, promovam a secessão da região ocidental não parece um disparate.
Em paralelo, os dados que estão saindo à luz permitem concluir que boa parte das denúncias de Chávez sobre uma conspiração contra seu governo não são fruto da sua imaginação. O assunto é como conter as tendências à guerra e como cortar a polarização. Nesse sentido, a diplomacia brasileira segue dando mostras de sentido comum e de saber fazer. Não deixou de tomar partido pelo agredido, mas colocou o norte em construir uma paz estável na região, assentada na integração regional. Para isso, a construção da Comunidade Sul-americana de Nações é mais urgente do que nunca.
O negócio da guerra
A origem das FARC é diferente da de outros grupos combatentes. Em 1948 foi assassinado o líder liberal Jorge Eliécer Gaitán, caudilho popular detestado pela intranssigente oligarquia colombiana. O magnicídio provocou uma grande revolta popular, o Bogotazo, e um longo período de guerras entre Liberais e Conservadores conhecido como La Violencia, onde morreram umas 200.000 pessoas. Liberais e comunistas, perseguidos ferozmente pelo Estado, se refugiaram em regiões remotas e inacessíveis e resistiram durante mais de uma década, até que boa parte deles se reagruparam no que posteriormente seriam as FARC. Em 5 de maio de 1966 nascem as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) como braço armado do Partido Comunista.
A origem Liberal de boa parte dos seus efetivos, entre eles Manuel Marulanda Vélez, Tirofijo (Tirocerto), seu principal dirigente, marcam diferenças com a maior parte das guerrilhas do continente. Por volta dos anos 60, as guerrilhas liberais e comunistas foram confluindo em “zonas liberadas” nas quais fundaram “repúblicas independentes” como a de Marquetália.
A segunda vertente, mais importante ainda, defende a necessidade dos camponeses se defenderem dos latifundiários, que marginalizaram e expropriaram as maiorias camponesas as empurrando até as margens da fronteira agrícola. A guerrilha colombiana se conforma, na prática, como grupos de autodefesa camponesa diante das violência extrema dos poderosos.
Até começos da década de 1980 as FARC contavam com mil à três mil combatentes. Em maio de 1984 estabelecem um cessar-fogo como parte dos acordos de paz assinados com o presidente Belisario Betancourt, e criam a Unidade Patriótica (UP) para participar nas eleições e na vida política legal. Porém, a UP foi aniquilada pela ação conjunta dos narcotraficantes, os paramilitares e o Estado. Em poucos anos foram assassinados entre dois e quatro mil simpatizantes e dirigentes da UP.
A partir de 1986, sob o governo Virgilio Barco, começaram processo de paz com o M-19, o EPL, o PRT e o Movimento Armado Quintín Lame, que formavam junto com as FARC e o ELN a Coordenadora Símon Bolívar. Como parte dos acordos de paz com esses grupos figurava a convocatória de uma Assembléia Constituinte. Em 9 de dezembro de 1990, no mesmo dia em qua se elegiam os constituintes e enquanto ainda se negociava a paz com as FARC, o exército sem aviso prévio lançou uma ofensiva contra a mítica Casa Verde, sede do Secretariado do grupo guerrilheiro.
Em 1998 se abre um novo processo de paz com o presidente Andrés Pastrana e a criação de uma Zona de Distenção Desmilitarizada de 40.000 kilômetros quadrados. Em 2002 se pôs fim à experiência no meio das acusações de que as FARC participam do negócio do narcotráfico e praticam o recrutamento forçado de menores, enquanto o governo de Pastrana negociava o Plano Colômbia para se fortalecer e ganhar o conflito.
Com o governo Uribe, desde 2000, tudo foi piorando. As FARC tiveram que se recolher e perderam numerosos efetivos e, sobretudo, a iniciativa militar e política. Entretanto, a política de Washington e de Uribe não são suficientes para explicar o brutal isolamento das FARC, o que representa sua derrota política e, provavelmente, sua futura desaparição como grupo significativo.
A forma como se financiam é um dado relevante. Aproximadamente 78% de sua renda, ou seja em torno de um bilhão de dólares anuais, se obtém por sua participação no narcotráfico, segundo o governo da Colômbia. Uma parte substancial é o chamado 'impuesto al gramaje', pago por cada grama produzida por camponeses e traficantes. Outros 600 milhões de dólares se obtém, segundo as mesmas fontes, das “vacunas” (vacinas) ou extorsões e sequestros. O resto da sua renda provém do roubo de gado dos latifundiários.
Um segundo elemento que deslegitimou as FARC é que entre 20-30% de seus efetivos são menores, muitos deles recrutados à força segundo denúncia da Humans Rights Watch. Em terceiro lugar, estão seus métodos, com frequência muito similares aos que empregam os paramilitares e as forças armadas. As FARC têm cometido massacres contra camponeses e grupos indígenas e a Anistia Internacional considera que eles violam os Direitos Humanos. Por último, a divulgação de imagens e testemunhos sobre os reféns e prisioneiros, presos com correntes há cinco, seis ou mais anos, terminaram de sepultar a sua credibilidade.
Pior que ainda tem mais. As pessoas comuns percebem que a guerra a prejudica e beneficia os poderosos.Dessa forma os paramilitares se posicionam como um projeto de refundação e de organização das novas formas de acumulação, onde a mineração ao céu aberto e os biocombustíveis se posicionam como os carro-chefes.
*Raúl Zibechi é editor de Política Internacional do “Semanário Brecha de Uruguay”; é autor de vários livros como “La Mirada Horizontal”, “La Revuelta Juvenil De Los 90”, “Los Arroyos Cuando Bajan” e “Genealogia De La Revuelta”; além de ser o ganhador do Prêmio Latino-americano de Jornalismo José Marti 2003. Seus textos podem ser encontrados em:
http://zibechi.sincensura.org.ar/
http://alainet.org/
notas:
1) Newsweek, 4 de agosto de 2004 en
www.newsweek.com/id/54793
2)
Ver www.militarypower.com.br/frame4-ranking.htm.
3) José
Fernando Isaza Delgado y Diógenes Campos Romero, 'Algunas
consideraciones cuantitativas sobre la evolución del conflicto
en Colombia', Bogotá, diciembre de 2007.
4) 'Uribe listo
para ir a la guerra', Página 12, 5 de marzo de 2008.
5)
Fabián Calle, 'La crisis Venezuela-Colombia: las capacidades
militares que esconden las palabras', 4 de marzo de 2008,
www.nuevamyoria.com.
6) James Petras, 'La estrategia militar de
Estados Unidos en América Latina', en América Libre,
No. 20, enero 2003.
7)
'Os militares, o governo neoliberal e o pé americano na
Amazonia', en revista Reportagem, www.oficinainforma.com.br.
8)
Raúl Zibechi, 'El nuevo militarismo en América del
Sur', Programa de las Américas, mayo de 2006.
9) Raúl
Zibechi, 'Venezuela: Debates a raíz de la reforma de la
Constitución', Programa de las Américas, diciembre de
2007.
10) 'O Brasil que acelera', Exame, 6 de marzo de 2008 en
http://portalexame.abril.com.br.
11) Mario Osava, 'Brasil se
resiste a mediar en conflicto andino', IPS, 4 de marzo de 2008.
12)
Miguel Lozano, 'Paramilitarismo, punta de lanza del separatismo en
Venezuela', Prensa Latina, 7 de marzo de 2008.
fonte: http://www.alainet.org/active/22794
tradução: André Takahashi em 23/03/2008 – Taka @ riseup.net
revisão: Rafael Xavier em 25/03/2008
08 Marzo, 2008 15:12
Cúpula do Grupo do Rio: Correa e Uribe apertam as mãos. Quanto tempo dura o acordo?
Escrito por takahashi, Categorías [ Integração Latino-americana ][ (0) Comentario ] | [ (0) Retroenlaces ]
O Grupo do Rio soltou uma resolução sobre a crise na América Latina que envolveu Equador, Venezuela, NIcarágua e Colômbia. Segundo a agência France Presse, a resolução rechaça a violação da integridade territorial do Equador e afirma a "inviolabilidade" de Estado "qualquer seja o motivo". O documento "toma nota das plenas desculpas" que Uribe ofereceu ao Equador e de seu compromisso de que este tipo de violação não se repetirá.
"Com o compromisso (da Colômbia) de nunca atacar um país irmão de novo e pedir perdão, nós consideramos este incidente seríssimo resolvido", disse Correa, antes do aperto de mão com Uribe. Logo depois, o presidente equatoriano retomou a palavra e disse que o problema da violação de seu território por parte do Exército colombiano não se resolvia com um aperto de mãos.
Porém, antes do desfecho, ficou claro que todos os países envolvidos na crise (Equador, Colômbia, Venezuela e Nicarágua) não fecharam suas feridas. Esse trecho da discussão entre Uribe e Correa mostra claramente o que um realmente pensa do outro, independente do pedido de desculpas da Colômbia:
"Não posso aceitar que o Equador diga que não tem relações com as Farc", disse Uribe. Correa tomou a palavra e contestou: "Que difícil acreditar em quem mentiu tanto e tantas vezes". Uribe respondeu: "Não me aplique esse cinismo nostálgico comunista."
Parece óbvio que a Cúpula do Grupo do Rio foi somente uma boa desculpa para que todos os envolvidos tenham tempo de se preparar pra um confronto futuro. Arrisco dizer que a 2ª Guerra pela independência latino-americana está cada vez mais próxima, e os gringos vão atuar nela através de soldados colombianos.
Vídeo: Correa e Uribe se ofendendo
Vídeo: Pseudo-final feliz
29 Enero, 2008 11:20
Brizola e a "pimenta revolucionária" na América Latina
Escrito por takahashi, Categorías [ Integração Latino-americana ][ (0) Comentario ] | [ (0) Retroenlaces ]
Esses dias assisti uma entrevista do finado Leonel Brizola no Roda Viva, gravada em 1987. A entrevista se passava no contexto de redemocratização do país, quase final da guerra fria e sob a expectativa das primeiras eleições diretas presidenciais após o regime militar. Na época da entrevista, devido à fragilidade do governo Sarney diante das intensas mobilizações operárias capitaneadas pelo novo sindicalismo, as eleições podiam acontecer a qualquer momento. Para um apaixonado pelas questões políticas essa entrevista é sensacional! Brizola, apesar dos pesares, era o tipo de homem que não levava desaforo pra casa e não tinha meias palavras. Durante as mais de duas horas chamou um dos entrevistadores de "cara de ratón" e insinuou que outro era agente da CIA. Seu jeito de falar misturando erudismo com contundência e sinceridade com o típico jogo político de falar e não dizer nada faz falta noo marasmo atual da política institucional. É o tipo de personagem que nos proporciona bons debates, reflexões e o fundamental: gargalhadas!
Das muitas reflexões que essa entrevista me proporcionou destaco a que foi fruto da pergunta de Mino Carta (atualmente na revista Carta Capital e na época na revista Senhor - que nome horríevel pra uma revista!) sobre qual o posicionamento ideológico do Leonel Brizola. Essa pergunta foi colocada junto com a observação (aparentemente temerosa) de que Brizola estava prestes a se aliar com o "revolucionário" Partido dos Trabalhadores. Brizola, que já estava alterado por terem insinuado que era um marxista, respondeu de maneira clara, porém "lisa" (liso de sabonete).
O caudilho (apelido dado à Brizola) afirmou que um governo social-democrata na América Latina é possível, mas precisa de alguma "pimenta revolucionária", pois aqui a social-democracia não tem como ser igual à social-democracia européia. Segundo Brizola os países europeus têm uma situação interna que os permite re-estruturar ou modificar políticas em seus países autonomamente. Na América Latina não, pois sempre que se quer transformar ou re-estruturar autonomamente em favor dos interesses populares estamos tocando em interesses internacionais poderosíssimos, estamos tocando no capital estrangeiro.
Ele citou como exemplo a campanha feita contra ele quando expropriou a empresa de eletricidade do Rio Grande do Sul, na época que foi governador daquele estado. Era uma empresa velha, ultrapassada, mas dominada pelo capital estrangeiro. A mesma coisa aconteceu quando ele estatizou a companhia de telefonia do estado. Em ambas as ocasiões ele agiu visando implantar uma política para as massas, agiu dentro da lei e, segundo ele, pelo "interesse do povo". Mesmo assim foi alvo de todo tipo de acusação.
Dando sequência ao seu raciocínio Brizola fez a ressalva que, em contrapartida, pelo menos no Brasil, não existe lugar para uma posição socialista ortodoxa "como alguns sonham". Citou como exemplo que esteve em Miami e viu a burguesia cubana. Em uma comparação simplista afirmou que a burguesia do Brasil é muito maior, "não tem nem como transportar". Em seguida, ele deu uma resposta de candidato, feita pra agradar a esquerda moderada, o centro e diminuir temores dos empresários. Segundo Brizola, não precisamos de soluções exóticas, temos que nos questionar aqui e buscar através da democracia social (socialismo democrático ou social-democracia) os nossos próprios caminhos.
Em clara referência ao modelo socialista soviético decretou que o povo brasileiro não tem chance fora da democracia, que se acontecer uma nova ditadura, seja de direita ou de esquerda, vamos nos afundar de vez. Que nossa única alternativa é democratizar a terra, a economia, democratizar toda a vida nacional, pois democratizando estaremos socializando. No final ele cita como exemplo algumas políticas internas dos EUA, que segundo ele dão lições à esse respeito, e que não admitem que são políticas socialistas ou social-democratas por vergonha ou medo de dar razão aos russos (esse Brisola...).
Pimenta revolucionária e esquerda refundadora latina no século XXI
Ao que parece, em 1987, Brizola ainda não tinha noção dos efeitos que a globalização neoliberal traria anos mais tarde. Imaginava que os países desenvolvidos sempre seriam mais autônomos que os países em desenvolvimento, e por isso conseguiriam implantar livremente qualquer tipo de políticas sociais. Os anos noventa e a consolidação do neoliberalismo mostraram que ele estava errado. Até os países ricos tornaram-se reféns da intrincada teia de relações do mundo capitalista globalizado. Uma nação, por mais rica que seja, não pode se dar ao luxo de implantar medidas populares sem se contrapor à interesses capazes de desestabilizar seu governo.
A observação de Brizola sobre a "pitada de pimenta revolucionária" me fez pensar sobre os atuais governos da esquerda refundadora latino-americana e seus processos de nacionalização e mobilização popular, que têm em Hugo Chávez e Evo Morales seus principais expoentes. São governos com toda uma roupagem revolucionária e socialista, mas que na essência não rompem com o capitalismo e seu modo de produção (pelo menos por enquanto) implantando, no máximo, políticas progressistas de cunho social-democrata, amparadas em uma poderosa máquina de mobilização populista. Vendo a dificuldade de se implantar essas reformas (grandes e importantes, mas apenas reformas) é de se pensar que Brizola estivesse errado na dose da receita. A recente derrota do bolivarianismo no referendo Venezuelano e as difuldades enfrentadas em outros países governados pela esquerda refundadora indicam que, mesmo para reformas de cunho social-democrata, a dose certa de pimenta revolucionária na América Latina deve ser bem mais que uma pitada.
25 Enero, 2008 03:17
Hugo Chávez, um ditador?
Escrito por takahashi, Categorías [ Integração Latino-americana ][ (0) Comentario ] | [ (0) Retroenlaces ]
03 Diciembre, 2007 15:17
"Não" vence na Venezuela.
Escrito por takahashi, Categorías [ Integração Latino-americana ][ (3) Comentario ] | [ (0) Retroenlaces ]
Nesta madrugada saíram os resultados do referendo na Venezuela. Segundo a apuração do CNE, 50,7% dos venezuelanos votaram contra o
primeiro bloco de artigos submetidos à consulta, enquanto 49,29%
optaram pelo "sim". O segundo bloco de reforma foi rejeitado por 51,05%
dos eleitores enquanto 48,94% o aprovaram. Diferença apertada.
Não vou me alongar muito sobre esses resultados e nem na análise. Minha opinião é que além de limitações estratégicas que abordarei em outro post houveram seis fatos (sendo quatro totalmente EVITÁVEIS) durante a campanha que foram decisivos para uma derrota tão apertada:
1) Desgaste por causa do episódio com o rei da Espanha na Cúpula Ibero-Americana
2) Desgaste devido ao tensionamento nas relações com a Colômbia. Pra piorar a situação Chávez leu, em rede nacional, uma carta de Manuel Marulanda, líder das FARC, um dia antes do pleito. Total sem noção!!! Esse fato foi bem explorado pelos meios opositores para assustar os mais moderados.
3) Provável operação de guerra psicológica do governo norte-americano extremamente bem plajenada e articulada com os escuálidos, como foi denunciado por bolivarianos e pelo jornal Washington Post (leia aqui outra matéria sobre essa conspiração).
4) Renúncia do ministro da defesa Raúl Isaias Baduel que foi para o lado da oposição.
5) Saída definitiva do partido PODEMOS (social-democrata) da base de apoio do bolivarianismo e seu posicionamento contra a reforma constitucional do jeito que foi proposta.
6) Tiroteio entre bolivarianos e oposicionistas dentro da Universidade Central da Venezuela (UCV).
Outro fato interessante é que os institutos de pesquisa que asseguravam uma vitória do NÃO na pesquisa de boca de urna falavam que o SIM estava vencendo, arrancando, dessa maneira, declarações do governo para que o resultado fosse respeitado por ambas as partes. Suponho que esse "vazamento" da pesquisa de boca de urna tenha sido um "golpe de mestre" da oposição.
O lado bom da derrota é que mostrou que as eleições na Venezuela são limpas, sem trapaças como sempre acusava a oposição. Outra lição que pode (ou não) sair dessa derrota é que Hugo Chávez seja mais humilde na condução do processo revolucionário. Na minha avaliação não foi a oposição que ganhou, mas Hugo Chávez que perdeu, pois não soube conduzir o processo com a devida serenidade e liderança moral. Mesmo membros da base de apoio bolivariana reconheciam desvios em alguns pontos da reforma constitucional (e não estou falando da reeleição indefinida, que é normal em diversos países "democráticos" como a Inglaterra).
Espero que Chávez aprenda com essa primeira derrota, pois ainda há tempo de revertê-la. Seu mandato vai até 2013 e até lá muita coisa vai acontecer na Venezuela e na América Latina. Humildade, paciência, serenidade e a compreensão de que a política deve ser uma extensão da ética são valores que precisam ser trabalhados para o processo bolivariano se renovar e não morrer na praia.
09 Agosto, 2007 13:41
Fábricas ocupadas, casas de plástico e revolução bolivariana
Escrito por takahashi, Categorías [ Integração Latino-americana ][ (1) Comentario ] | [ (0) Retroenlaces ]
Um dos resultados desses acordos foi a fundação da Petrocasa, empresa estatal "socialista" ligada a Pequiven, subsidiária da PDVSA (estatal petrolífera venezuelana) no ramo petroquímico. A Petrocasa é fundamental para a nova política habitacional do governo Chávez, pois através da tecnologia adquirida com as empresas ocupadas brasileiras, empresas alemãs e empresas austríacas, a Petrocasa constrói, desde sua inauguração, casas de PVC para as famílias de baixa renda da Venezuela.
As casas de PVC são fáceis de montar (em certa medida lembra o jogo Lego), custam menos da metade do preço de uma casa de alvenaria equivalente, mantém temperaturas estáveis tanto em dias frios quanto dias quentes, resistem a balas 9mm e o melhor de tudo: são anti-inflamáveis. As casas de PVC tem 70 metros quadrados, contam com 3 quartos, dois banheiros, uma sala de jantar, cozinha e área de serviço. O governo pretende construir a maioria das "petrocasas" em sistema de mutirão, coordenado pelos conselhos comunais, uma estratégia que pretende transformar a solução do problema habitacional num dos pilares na construção do poder popular.
Uma informação que não encontrei foi o impacto ambiental dessas casas de PVC. Fabricar tanto PCV não deve ser das atividades mais limpas do planeta. É uma informação importante levando-se em conta que o governo venezuelano pretende construir mais duas fábricas da Petrocasa; e até 2010 espera produzir 60.000 casas por ano. Além das casas estão nos planos da empresa "socialista" a construção de escolas, hospitais e até prédios de 5 andares, todos de PVC.
Porém, como boa parte da assessoria técnica vinha das fábricas ocupadas brasileiras fica o questionamento de como a intervenção da justiça brasileira vai afetar o desenvolvimento desse programa habitacional. O silêncio do governo venezuelano sobre a intervenção judicial também é uma incógnita. Diversos movimentos sociais venezuelanos, incluindo fábricas ocupadas e meios alternativos daquele país, já se manifestaram contrários à internvenção.
Postei alguns vídeos venezuelanos sobre a Peterocasa. Na internet havia um muito engraçado aonde o Chávez falava dssas casas no seu programa televisivo "Alo Presidente", mas ao que parece não tem no Youtube. Porém, as mesmas cenas do teste do fogo e da bala 9mm aparecem no primeiro vídeo abaixo. Mesmo sem o Chávez aplaudindo as imagens são muito engraçadas, parecem aquelas propagandas de canal de compras falando de "facas Ginsu" ou "meias Vivarinas" hahaha. Essa revolução bolivariana ao mesmo tempo que me intriga me dá medo, muito medo.
11 Julio, 2007 13:12
Rafael Correa promove o Software Livre
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O mais novo integrante dos governos da esquerda refundadora latino-americana, Rafael Correa, presidente do Equador, destaca-se com um estilo próprio de governar que o diferencia de Hugo Chávez. Seu governo, de forte caráter nacionalista e socialista cristão, rende constantes acontecimentos notáveis, como a vitória na convocação da assembléia nacional constituinte e suas parcerias estratégicas com os países da Alternativa Bolivariana dos Povos da América (ALBA), bloco de integração solidária que provavelmente contará com a adesão do Equador tão logo Rafael Correa consolide o processo de transformação em marcha no país.
Coerente com suas propostas de independência e de integração latino-americana Rafael Correa surpreendeu a todos com um pronunciamento em rede nacional de televisão convocando todo o Equador a adotar o Software Livre. Aliás, Richard Stallman, guru do movimento Software Livre, foi uma das primeiras personalidades estrangeiras a se reunir com Rafael Correa após sua vitória. Abaixo, o pronunciamento de Rafael Correa a favor do Software Livre.
20 Abril, 2007 06:45
Bolívia: Os erros de Evo e um novo instrumento político de esquerda
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Evo Morales e seu partido (Movimento ao Socialismo - MAS) ganharam a eleição presidencial de 2005 após um intenso processo de mobilização popular que derrubou dois governos neoliberais. Como consequencia da pressão popular que o elegeu ele assinou, no dia 1º de maio de 2006, o Decreto de Nacionalização dos Hidrocarbonetos, aumentando o controle governamental sobre as empresas multinacionais que exploram o gás boliviano.
17 Abril, 2007 18:53
Equador: Vitória do SIM na consulta popular sobre a Assembléia Constituinte
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