Perigo: Rede Globo "O programa "Fantástico" do último domingo, dia 16 de dezembro, numa sórdida e repugnante matéria, atiçou o povo brasileiro contra os venezuelanos, insinuando uma suposta "invasão militar" da Venezuela ao nosso país. Nesta semana, o PCB representou judicialmente contra a emissora, instando o Ministério Público Federal a acioná-la, para assegurar direito de resposta, no mesmo espaço, a representantes dos governos ofendidos. Leia aqui a integra da ação."

 

REPRESENTAÇÃO JUDICIAL CONTRA A GLOBO:
 
Excelentíssimo Sr. Dr. Procurador Geral do Ministério Público Federal no Estado do
Rio de Janeiro

O PARTIDO COMUNISTA BRASILEIRO (PCB), registrado no Tribunal Superior Eleitoral e inscrito no CNPJ, sob o número 01585552/0001-71, vem, através de seu advogado e Secretário Geral, IVAN MARTINS PINHEIRO, brasileiro, advogado inscrito na OAB-RJ, sob o número 17.517, com endereço na sede do partido, à Rua Teotônio Regadas, 26 – sala 402, Lapa, Rio de Janeiro (RJ), apresentar  REPRESENTAÇÃO  em face da Rede Globo de Televisão, com sede nesta cidade, tendo em vista que, em seu programa "Fantástico", edição de 16 de dezembro último, violou o parágrafo único e praticamente todos os incisos do "caput" do artigo quarto da Constituição Brasileira, cláusula pétrea de nossa Carta Magna, que trata dos princípios que regem as relações internacionais da República Federativa do Brasil:
 
· prevalência dos direitos humanos;
· autodeterminação dos povos;
· não-intervenção;
· igualdade entre os Estados;
· defesa da paz;
· solução pacífica dos conflitos;
· repúdio ao terrorismo e ao racismo;
· cooperação entre os povos para o progresso da humanidade.
 
Parágrafo Único. A República Federativa do Brasil buscará a integração econômica, política, social e cultural dos povos da América Latina, visando à formação de uma comunidade latino-americana de nações.
 
1 - Com o notório objetivo de instigar um conflito militar entre o Brasil e a República Bolivariana da Venezuela, aquela emissora exibiu, em horário nobre, no programa de maior audiência nacional, uma provocativa reportagem sob o título: "O BRASIL ESTÁ PREPARADO PARA UMA GUERRA CONTRA A VENEZUELA?".
 
2 - A programação foi exaustivamente promovida, de forma sensacionalista, nos dias anteriores à difusão, com chamadas renitentes, em que se perguntava: "COMO REAGIRIAM OS BRASILEIROS A UMA INVASÃO DA VENEZUELA AO NOSSO PAÍS?".
 
3 - Para escamotear da população brasileira suas deletérias intenções - e certamente para tentar fugir das penas da lei -, a reportagem assumiu uma forma híbrida, para passar a impressão de que se tratava de humor. Para enganar os brasileiros entrevistados na fronteira, os repórteres passavam-lhes a impressão de que se tratava de uma reportagem do tradicional programa dominical.
 
4 - Inúmeras passagens do programa - que podem ser verificadas na gravação áudio-visual que se anexa à presente - evidenciam a transgressão dos princípios constitucionais acima arrolados. O programa já começa com a caluniosa insinuação de que a Venezuela está se armando para invadir o Brasil. Trata-se de uma notória fraude. Qualquer pessoa medianamente informada sabe que o adversário externo do governo venezuelano é o governo norte-americano e não o brasileiro.
 
5 - Os repórteres manipulam, sem qualquer pudor, a inocência, o patriotismo e a falta de informação e consciência política de alguns compatriotas nossos que vivem naquela fronteira. Entre outras irresponsabilidades e leviandades, perguntam aos incautos se lutariam em defesa do Brasil, na iminência da agressão venezuelana. Chegam ao ponto de percorrer, em um carro decorado com nossas cores nacionais, a via principal de Pacaraima (RR), promovendo uma "convocação de emergência", incitando a população a se "alistar para a guerra contra a Venezuela". Isto se dá exatamente na fronteira entre os dois países amigos, fomentando um clima de hostilidade e agressividade entre vizinhos que ali, mais do que em outros rincões, têm intensa interação familiar, cultural, social e econômica.
 
6 - O programa trata de ridicularizar, satanizar e estereotipar o Presidente da Venezuela, através de edição de imagens para que pareça um agressor de nosso país. O objetivo político central é uma solerte campanha para instar o governo brasileiro a reforçar sua fronteira com a Venezuela e se armar para poder "enfrentar o país agressor".
 
7 - Para tal, tentam ridicularizar também as nossas Forças Armadas. Enquanto as Forças Armadas venezuelanas são apresentadas como "a maior força bélica da América Latina", as nossas são caracterizadas como sucateadas, ineficientes, obsoletas. Nesse desiderato, não faltam cenas grotescas e patéticas, como os locutores treinando brasileiros para se defenderem com pedras. Há uma passagem em que um ator, fazendo o papel do Presidente Hugo Chávez (chamado debochadamente de "Chaverito"), passa incólume pela fronteira, de três maneiras: a pé, de bicicleta e a cavalo. Tudo com a cumplicidade de funcionárias da Receita Federal brasileira que aparecem no programa, sendo que uma delas tem o seguinte diálogo com o locutor:
 
· Locutor: "Os venezuelanos são bons vizinhos?"
· Funcionária: "Com toda sinceridade? Não!"
· Locutor: "Vocês botam tranca aqui no posto após o expediente, para não ter nenhum
venezuelano passando por aqui?"
· Funcionária: "Claro".
 
8 - Ao fim deste bloco, afirma o locutor, categórico e solene:
"Está provado: a hora que Chávez quiser, ele invade o Brasil."
 
9 - O grave é que o programa em foco, de imensa audiência popular, criou uma imagem de credibilidade que leva muitos brasileiros, sobretudo os que não têm visão crítica da manipulação midiática, a terem suas opiniões formadas exatamente por suas reportagens, que, aliás, têm muito pouco humor. Sua matéria prima principal é o sensacionalismo. Quem de nós já não ouviu, quando se quer confirmar que determinada informação é verídica: "Mas isso "deu" no Fantástico!".
 
10 - O final do programa é uma provocante e abjeta apologia à guerra entre o povo brasileiro e o venezuelano, onde os locutores revelam suas intenções, em frases repugnantes e sórdidas como estas:
 
"E se o tempo fechar entre Brasil e Venezuela: será que estamos preparados?"
"Qualquer movimento estranho na fronteira, liguem para Brasília e reclamem com o
síndico."
 
11 - Para insinuar que o perigo não se limita ao norte, na fronteira com a Venezuela, mas que a "invasão" pode vir também pelo sul, pela fronteira com a Bolívia, o programa aproveita para ridicularizar o Presidente boliviano, Evo Moralez, colocando-o como submisso ao Presidente Chávez. Quando o locutor informa ao público: "Agora, vamos ver como está a fronteira sul", imediatamente entra uma charge animada de Evo Morales propondo Chávez para Presidente da Bolívia.
 
12 - Na realidade, o programa ofendeu três Presidentes: o Presidente da Bolívia, como uma marionete, um fantoche; o Presidente da Venezuela, como um invasor, um ditador; o Presidente do Brasil, como um pusilânime, um omisso, que não reage e não prepara o país para se defender da "invasão". A todos, portanto, agravou com dano material, moral e às suas imagens.
 
13 - O desrespeito é tão grave e notório que o programa foi ao ar exatamente no momento em que o Presidente Luiz Inácio da Silva estava num intervalo de visitas aos dois países, justamente para estreitar os laços de amizade e colaboração entre seus povos, na perspectiva da integração latino-americana! No dia anterior, nosso Presidente chegara da Venezuela; no dia seguinte, viajou para a Bolívia.
 
14 – A nosso juízo, não se tratou de coincidência. O programa é parte de uma insidiosa e contumaz campanha de manipulação – a serviço de interesses imperiais -, destinada a tentar frear a determinação inabalável dos povos da América Latina, no sentido de romper os grilhões que os levaram à dependência, ao subdesenvolvimento e à iniqüidade social.
 
15 – A importância que a Constituição brasileira atribui ao nosso convívio harmonioso com os países latino-americanos é muito relevante, a ponto de estabelecer como princípio a busca da integração econômica, política, social e cultural dos povos da América Latina, visando à formação de uma comunidade latino-americana de nações.
 
16 - Diante de todo o exposto é que o PCB requerer ao ilustre dirigente do MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL que intente a AÇÃO PÚBLICA que julgar compatível contra a Rede Globo de Televisão para que, com base no inciso V, do artigo 5º de nossa Constituição Federal, SEJA ASSEGURADO O DIREITO DE RESPOSTA, PROPORCIONAL AO AGRAVO, NO MESMO PROGRAMA E NO MESMO DIA DA SEMANA E HORÁRIO EM QUE SE PRODUZIRAM AS OFENSAS, A REPRESENTANTES DESIGNADOS PELOS GOVERNOS OFENDIDOS, A SABER: DA BOLÍVIA, DO BRASIL E DA VENEZUELA.
 
17 - Finalmente, requer o PCB que o eminente Procurador analise a transgressão de nossos princípios constitucionais à luz da legislação penal e daquela que regulamenta a concessão pública de emissoras de televisão, estudando a possibilidade de se postular a aplicação de sanções, tendo em vista, entre outros dispositivos, o artigo 221, de nossa Carta Magna, que estabelece que a produção e a programação das emissoras de rádio e televisão atenderão exclusivamente a finalidades educativas, artísticas, culturais e informativas, à promoção da cultura nacional e ao respeito aos valores éticos e sociais da nação. Entre estes, Excelência, destacam-se a
tradição brasileira de privilegiar o convívio fraterno entre os povos e o respeito absoluto à sua autodeterminação.
 
Rio de Janeiro, 19 de dezembro de 2007
 
Ivan Martins Pinheiro
 
 
Com cópia para:


- Presidência da República Federativa do Brasil
- Ministérios das Relações Exteriores e das Comunicações;
- Embaixadas da Bolívia e da Venezuela;
- Associação Brasileira de Imprensa;
- Ordem dos Advogados do Brasil (RJ).


Essa é pra fechar o ano:
 
Os povos originários da Nação Lakota declararam sua independência dos Estados Unidos no dia 19 de dezembro de 2007. Os membros mais ilustres dessa nação indígena são Touro Sentado, Cavalo Louco e Leonard Peltier (preso político norte-americano há mais de 31 anos). O motivo apresentado pelos Lakotas é o reiterado descumprimento dos acordos firmados há mais de 150 anos entre o governo e seus ancestrais. Diante dessa situação os Lakotas decidiram romper esses acordos de forma unilateral, informando a decisão ao Departamento de Estado e iniciando relações diplomáticas com Venezuela, Bolívia, Chile e África do Sul.
 
Os Lakotas afirmam que o direito à sua independência - pela qual vêm lutando desde a década de 70, quando foi preso o líder indígena Leonard Peltier - está garantido pelos acordos que acabaram de romper, pela constituição norte-americana e por leis internacionais.
 
 
Metade da nação Lakota se situa no estado de Dakota do Sul, enquanto o resto vive dividido entre Nebraska, Dakota do Norte, Montana e Wyoming. Seus integrantes têm uma expectativa de vida de apenas 44 anos e sofrem de uma taxa de suicídio 150% maior do que a média dos EUA. Os integrantes do novo país têm a intenção de colocar em prática seu próprio passaporte, administração pública e carteira de habilitação de motorista. 
 
As comunidades da nação Lakota, assim como todas as nações indígenas dos EUA, são beneficiárias do programa de distribuição de combustível para calefação patrocinado pela CITIGO, subsidiária norte-americana da estatal venezuelana do Petróleo PDVSA.   
 
Links:
 
Clip do Rage Against the Machine em homenagem à luta Lakota 
 
 
 
 
 

Curta de Kung Fu, Parkour e Dança contemporânea.

Lilium

Os iusti meditabitur sapientia
Et lingua eius loquetur iudicium

Beatus vir qui suffert tentationem
Quoniam cum probatus fuerit
Accipiet coronam vitae

Kyrie Ignis Divine eleison

O quam sancta, quam serena, quam benigna, quam amoena
O castilas lilium

Elfen Lied

(...) Sem sombra de dúvida, violência e nudez são os aspectos mais chamativos do anime num primeiro momento. E paradoxalmente, não o tornam vulgar, ou diminuem sua qualidade; pelo contrário, são pontos bem trabalhados, e que, além de terem razão de ser, dizem de forma bem clara: “xô, crianças!”. Definitivamente, Elfen Lied não é um desenho infantil. É adulto. (...)
 
Choque é a palavra de ordem no desenho. Cenas como o passado de Mayu, vítima de um padrasto pedófilo, ou a morte do cachorrinho de Lucy, num flashback, são bárbaras. E criam um gancho para a raiva de Lucy em relação à humanidade. Adentrando no terreno especulativo, arrisco dizer que Elfen Lied é uma crítica ferrenha às debilidades e imperfeições grotescas dos seres humanos. >>> continua...


leia na integra:

http://www.rodrigoghedin.com.br/2006/09/22/diclonius-vectors-e-lembrancas-divagacoes-sobre-elfen-lied/

Retirado do jornal português Mudar de Vida

Meu comentário: Há anos o Irã anunciava que tomaria essa medida, mas nunca colocava em prática. Creio que essa decisão só foi confirmada devido ao relatório da CIA que afirma que seu programa de armas nucleares está congelado. Dessa forma, os EUA não tem a grande desculpa para uma intervenção militar.

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O Irão decidiu deixar de vender o seu petróleo a troco de dólares norte-americanos, passando a transaccioná-lo por outras divisas - anunciou o ministro iraniano Davoud Danesh-Jafari.
O dólar dos EUA é ainda a principal moeda para as transacções internacionais de petróleo - hegemonia essa mantida cada vez mais à custa do poderio militar. Mas a continuada quebra de valor que tem sofrido face ao euro (e mesmo em relação a outras moedas, como a chinesa, a japonesa ou a russa) faz com que os países exportadores de petróleo que recebem pagamentos em dólares percam dinheiro.

O Irão (quarto produtor mundial) propôs aos outros parceiros exportadores que se diversificasse a venda de crude por outras moedas, tendo tido, até agora, apenas o apoio da Venezuela. Mas é possível que outros sigam atrás se a medida vingar.

Em 2002 o Iraque tomou a mesma decisão que os iranianos agora tomaram, facto que acelerou os preparativos de invasão por parte dos EUA. Os norte-americanos temem, ontem como hoje, perder influência nos mercados se se verificar que decisões desta espécie produzem um efeito de dominó em vários países - e a respeito não apenas do petróleo mas também de outras trocas internacionais em que o dólar tem ainda grande peso.

Uma redução drástica do uso do dólar como moeda internacional poderia significar um colapso da economia norte-americana, que é hoje, na verdade, uma economia fraca, dependente em grande medida da preponderância do dólar com meio de pagamento.

Um certo mestre diz que existem duas grandes maneiras de receber lições da vida: pelo amor ou pela dor. Dessa forma, quando a compreensão plena não chega pela via do amor, da paz, o conhecimento acaba chegando pela dor; dor que geralmente decorre do erro insistente da pessoa em pensar que sabe, mas na verdade não sabe ou não aplica o que sabe.
 
Hoje recebi um conhecimento pela dor e, como é de se esperar, não foi agradável.  O conhecimento que adquiri foi que pessoas com prática política militante devem tomar muito cuidado ao conversar sobre política em bares, principalmente com gente bêbada que não tem o mínimo de prática e compromisso político militante. De preferência deve-se evitar essa situação. Sempre tive essa noção, mas hoje a situação desagradável que se desenrolou me fez sentir as consequências de ignorar essa regra. Regra que deveria ser sagrada para militantes, ativistas e pessoas que buscam justiça social terem um dia-a-dia mais saudável.
 
Mesmo não bebendo alcool mantenho o costume de conviver com gente que bebe. Querendo ou não o alcool é "O" agente socializador no mundo atual; e muitos dos meus conhecidos bebem pra quebar sua rotina, entorpecer suas mentes por alguns momentos, esquecer dos problemas e reflexões e tornar suas vidas mais suportáveis.  Dessa forma, no ultimo ano, me tornei um sóbrio no meio dos que bebem. Com o tempo, admito, adquiri uma certa arrogância, pois chega um momento da noite aonde você ser o único totalmente sóbrio te dá uma vantagem estratégica na compreensão da dinâmica social. Principalmente se você já teve o costume de beber.
 
Vamos ao fato: hoje estava num bar com alguns conhecidos e encostei numa mesa de boteco aonde três outros conhecidos estavam bebendo cerveja,   eles já haviam tomado uma quantidade considerável e começamos a falar de assuntos da faculdade aonde nos formamos e a conversa tomou um viés político. Apenas contextualizando: as três pessoas que estavam na mesa são muito amigas entre si e eu nunca fui íntimo dos mesmos, por diversos motivos, mas sempre mantivemos um certo respeito e temos alguns amigos em comum. Um trabalha em banco e os outros dois em sindicatos e associações patronais. Os que trabalham nos sindicatos e associações patronais sempre amaldiçoaram seus trabalhos, estando lá apenas para pagar as contas sem ter um compromisso real com essa atividade. 
 
Voltando ao fato: a conversa tomou um viés político e um dos três começou a soltar aquele velho papo senso comum de "política é assim mesmo, não dá pra fazer diferente" etc etc. A pessoa em questão (conhecida por militantes GLBT da ESP como "TFP") começou a me questionar que tipo de mundo eu queria, que provas eu tinha do que estava falando, insinuou que eu buscava uma utopia e, ao mesmo tempo, não me deixava responder às suas colocações e ficava despejando "argumento" atrás de "argumento" (com áspas mesmo).
 
Estava visível que a pessoa soltava algo que estava preso na sua garganta há muito tempo, a questão não era o assunto em si, mas o julgamento que essa pessoa tinha de mim esses anos todos e nunca teve coragem de falar diretamente. Ela simplesmente estava soltando, de uma forma tosca e indireta, tudo aquilo que estava preso na sua garganta há anos. Como diz um grande ditado popular: "A bebida entra e a verdade sai".  E a verdade era que a pessoa e seus dois amigos íntimos sempre tiveram muita aversão à minha postura política.
 
Quando a conversa com o primeiro atingiu um nível de desgaste total, e eu já pensava em sair da mesa, seu amigo (que defendia o sistema educacional da ditadura em sala de aula) disse, gaguejando e visivelmente receoso:
 
"Takahashi, é uma merda discutir política com você. Você tem idéias legais e um embasamento, mas não aceita opiniões diferentes. Eu, fulano e fulana quando conversamos de política é super agradável, sempre aceitamos a opinião do outro, voltamos atrás, mudamos de opinião etc etc."  
 
Nessa hora respondi:
 
"Fulano, vocês não gostam de discutir política comigo porque pra mim política é um compromisso diário no qual gasto horas de prática; precisa de argumentos muito bons pra eu voltar atrás nas minhas opiniões." Após essa afirmação pedi licença e sai da mesa.
 
Para os três que estavam discutirndo comigo não é assim. Para eles a política só passou pelos textos da faculdade e em algumas conversas descompromissadas de bar, aonde o  mais importante é manter o clima "super-agradável". Dessa forma, é muito fácil um jogo retórico fazê-los "voltar atrás", "mudar de opinião" (desde que o outro também mude e entrem numa síntese pseudo-dialética), pois para eles não está em disputa algo que tenha a ver diretamente com seu estilo de vida, não está em disputa conceitos e análises que são testados na prática militante e acompanhamento diário do assunto. Para eles, no máximo, a grande questão é um delicioso joguete polêmico e intelectualóide, regado à cerveja e retórica ilustrada pseudo-sociologica, sempre mantendo o clima "super agradável" (queria saber como é um clima "super agradável" com alguém defendendo o sistema educacional da ditadura). No caso específico de dois deles, com suas opiniões embasadas em experiências práticas nos seus respectivos EMPREGOS, em sindicatos e  associações patronais (leia-se: emprego é bem diferente de militância, de fazer algo que você gosta, acredita, estuda e realmente se dedica. militância pode até ser remunerada, mas é diferente de EMPREGO)
 
Não estou falando que pessoas sem prática política militante não devem ter suas opiniões consideradas. Estou dizendo que para conversar sobre política com gente que não tem o mínimo comprometimento moral com o assunto a mesa do bar não é o melhor ambiente. Além disso, nós, militantes, ativistas e pessoas em geral comprometidas com justiça social, devemos sempre avaliar se vale a pena conversar desse assunto em determinado contexto e com determinadas pessoas. O que você vai ganhar ou perder tocando nesse assunto? Você pode plantar espinhos à toa, e eles te picam quando você menos espera. No meu caso, felizmente, a descoberta do espinheiro foi em uma insignificante mesa de bar, aonde interrompi o  momento "super agradável" de três pessoas ocupadas demais com suas vidas.  Em outros casos esses espinhos podem custar algo mais valioso. Por isso, tomem cuidado com o que plantam por aí. O ser humano tem dois braços, duas pernas, dois olhos, dois ouvidos e apenas uma língua. É algo pra se pensar...
No próximo dia 8 de dezembro (sábado), será lançado o livro A Revolução Boliviana, de Everaldo de Oliveira Andrade, publicado pela Editora Unesp, em debate no Centro de Documentação e Memória (Cedem) da Unesp, em São Paulo. Além do autor, participam da mesa Antônio Rago Filho (PUC-SP) e Murilo Leal Pereira Neto (Faccamp - CEMAP).  A Revolução Boliviana integra a Coleção Revoluções do Século 20, organizada e dirigida pela historiadora Emília Viotti da Costa. A obra analisa as peculiaridades da insurreição de massas na Bolívia em 1952. Busca demonstrar que o sentido do progresso e da ruptura com os marcos do atraso econômico e social do capitalismo não esteve nas mãos das burguesias nacionais, mas das maiorias populares, tendo à frente seus setores mais politizados e organizados no movimento operário.

O evento acontece no Cedem/Unesp, à Praça da Sé, 108, 1º andar, Centro, fone (11) 3105-9903, às 14h. Inscrições gratuitas devem ser feitas pelo e-mail ssantos@cedem.unesp.br. O debate é uma promoção do Centro de Estudos Mário Pedrosa (CEMAP).
Participe do debate sobre o uso de software livre nos Telecentros de SP. Participação de Waldemar Junqueira Ferreira Neto, Coordenador Geral de Inclusão Digital da Prefeitura, e Sérgio Amadeu, responsável pela implantação dos Telecentros da ex-prefeita Marta Suplicy.
 
Quando: 10/12, às 19h

Onde: Auditório do Sindicato dos Jornalistas - Rua Rego Freitas, 530 - sobreloja
Mais informações: http://www.nossasaopaulo.org.br/nssp.index.asp

Essa semana, segunda feira dia 03, desabou o teto de uma sala da Escola de Sociologia e Política de São Paulo, quase acertando a cabeça de 4 estudantes que se encontravam na sala esperando o início da aula. Hoje de manhã dei uma passada pra ver a situação da sala. A estrutura caiu de podre, carcomida por cupins.

É triste ver essa situação de descaso na faculdade aonde me formei e que tenho um certo carinho. Pior que o descaso criminoso dos mantenedores da faculdade foi a reação dos estudantes, que simplesmente aceitaram o ocorrido e continuaram "seguindo as instruções". Na hora ninguém teve a idéia de fazer uma mobilização, chamar a mídia ou denunciar o ocorrido na prefeitura. Ficaram todos assustados, mas sem atitude, ótimos cordeirinhos. Se esse é o futuro da sociologia adeus pensamento crítico, quanto mais atitude crítica.

O pessoal do Centro Acadêmico Florestan Fernandes, gestão Chico Mendes, entidade representativa dos estudantes, não se encontrava na ESP no momento, sendo avisados do ocorrido por telefone mais de 3 horas depois. Hoje de manhã a gestão estava fotografando a cena do acidente e tentando vender a pauta para algum veículo de mídia, mas os grandes jornais alegam que a pauta tá "antiga", que tinha que ter denunciado na hora do acidente. Bom, pelo menos o registro fotográfico foi publicado no site do Centro de Mídia Independente. Espero que eles tenham feito a denúncia na prefeitura, pois o que ocorreu não pode ser esquecido.

A Fundação Escola de Sociologia e Política - FESPSP (mantenedora da ESP) pretende aumentar a mensalidade pro ano que vem em 5%, fazendo o valor chegar a quase R$600,00. Além disso, é de conhecimento público que eles arrecadam muito dinheiro vendendo consultorias pro poder público. A dúvida que tá pairando entre os estudantes da ESP é: Aonde tá sendo investido esse dinheiro? Na instalação de catracas que poderão impedir a entrada de inadimplentes? Em uma futura instalação de câmeras para fiscalizar os estudantes sob pretexto de "segurança"? Bom, mas se depender do grau de mobilização dos atuais estudantes da ESP a FESPSP pode ficar tranquila, não passarão de perguntas sem ação.

Cordeirinhos.... 

 

 

escuálidos vencem na Venezuela...por enquanto. (foto AP) Nesta madrugada saíram os resultados do referendo na Venezuela. Segundo a apuração do CNE, 50,7% dos venezuelanos votaram contra o primeiro bloco de artigos submetidos à consulta, enquanto 49,29% optaram pelo "sim". O segundo bloco de reforma foi rejeitado por 51,05% dos eleitores enquanto 48,94% o aprovaram. Diferença apertada.

Não vou me alongar muito sobre esses resultados e nem na análise. Minha opinião é que além de limitações estratégicas que abordarei em outro post houveram seis fatos (sendo quatro totalmente EVITÁVEIS) durante a campanha que foram decisivos para uma derrota tão apertada:

1) Desgaste por causa do episódio com o rei da Espanha na Cúpula Ibero-Americana

2) Desgaste devido ao tensionamento nas relações com a Colômbia. Pra piorar a situação Chávez leu, em rede nacional, uma carta de Manuel Marulanda, líder das FARC, um dia antes do pleito. Total sem noção!!! Esse fato foi bem explorado pelos meios opositores para assustar os mais moderados.

3) Provável operação de guerra psicológica do governo norte-americano extremamente bem plajenada e articulada com os escuálidos, como foi denunciado por bolivarianos e pelo jornal Washington Post (leia aqui outra matéria sobre essa conspiração).

4) Renúncia do ministro da defesa Raúl Isaias Baduel que foi para o lado da oposição.

5) Saída definitiva do partido PODEMOS (social-democrata) da base de apoio do bolivarianismo e seu posicionamento contra a reforma constitucional do jeito que foi proposta. 

6) Tiroteio entre bolivarianos e oposicionistas dentro da Universidade Central da Venezuela (UCV). 

Outro fato interessante é que os institutos de pesquisa que asseguravam uma vitória do NÃO na pesquisa de boca de urna falavam que o SIM estava vencendo, arrancando, dessa maneira, declarações do governo para que o resultado fosse respeitado por ambas as partes. Suponho que esse "vazamento"  da pesquisa de boca de urna tenha sido um "golpe de mestre" da oposição. 

O lado bom da derrota é que mostrou que as eleições na Venezuela são limpas, sem trapaças como sempre acusava a oposição. Outra lição que pode (ou não) sair dessa derrota é que Hugo Chávez seja mais humilde na condução do processo revolucionário. Na minha avaliação não foi a oposição que ganhou, mas Hugo Chávez que perdeu, pois não soube conduzir o processo com a devida serenidade e liderança moral. Mesmo membros da base de apoio bolivariana reconheciam desvios em alguns pontos da reforma constitucional (e não estou falando da reeleição indefinida, que é normal em diversos países "democráticos" como a Inglaterra).

Espero que Chávez aprenda com essa primeira derrota, pois ainda há tempo de revertê-la. Seu mandato vai até 2013 e até lá muita coisa vai acontecer na Venezuela e na América Latina. Humildade, paciência, serenidade e a compreensão de que a política deve ser uma extensão da ética são valores que precisam ser trabalhados para o processo bolivariano se renovar e não morrer na praia.