Nessa quinta, dia 29, vi duas fotos sobre a Venezuela que me deixaram preocupado. As duas fazem referência à um socialismo cristão aonde Chávez aparece como uma espécie de messias. Como todos sabem simpatizo com alguns aspectos do processo revolucionário bolivariano, mas o caráter messiânico que Chávez tem entre a população é algo extremamente preocupante.

Ser reconhecido como um messias é poder demais nas mãos de uma pessoa. Além disso, Hugo Chávez não é exatamente um exemplo de homem santo: extremamente virulento na sua fala, nem um pouco sereno e conhecido por se meter em confusões internacionais à toa, como foi o caso de sua discussão com o rei da Espanha na ultima cúpula Ibero-americana.

Quando estive na Venezuela percebi muito bem esse caráter messiânico. Conheci umas cinco pessoas que acreditam que Chávez é a reencarnação de Simon Bolívar, sendo que uma dessas pessoas é professora universitária.

O que eu conheço do socialismo cristão do Tolstoi ou da Teologia da Libertação não tem espaço para líderes messiânicos ou culto à personalidade. É como se o conceito de socialismo cristão estivesse sendo deturpado e vulgarizado em detrimento de um projeto de poder personalista. Bom, no momento não tenho muito mais o que falar e deixarei pra desenvolver essa crítica ao messianismo chavista em outro post. Por enquanto deixo os leitores comentarem as fotos.

Homem passa por imagem de 'A Última Ceia' com novos personagens, com exceção de Jesus Cristo, pintada em Caracas, na Venezuela; Hugo Chávez está sentado bem à direita da foto. Também aparecem Mao, Fidel Castro, Marx, Lenin, Simon Bolívar, entre outros (Foto: Rodrigo Arangua/AFP)  
 

 

Nessa quarta, 28 de novembro, o site da BBC Brasil noticiou, com uma impressionante normalidade, que os governos da Guiana e da Inglaterra estão negociando um acordo no mínimo suspeito. Em troca de "um pacote de financiamentos para desenvolvimento sustentável e assistência técnica para tornar a indústria do país mais viável ambientalmente." o governo da Guiana cederá sua parte da floresta Amazônica para administração do governo inglês. Isso mesmo, um país soberano está OFERECENDO a parte mais rica de seu território pra ser administrada por uma potência imperialista em troca de financiamento e assistencia técnica.
 
Como não podia deixar de ser os ingleses mostraram-se animados com o entreguismo expontâneo de sua ex-colônia e, sob as palavras de Chris Huhne, porta-voz para meio ambiente do Partido Liberal Democrata, já deixaram claro quais são suas intenções futuras nesse sentido:
 
"Esta é uma novidade muito interessante. Precisamos trabalhar nas propostas que a Guiana fez em um nível internacional e expandir para cobrir não apenas a Guiana, mas também o Brasil, Venezuela e outros países onde está a floresta tropical"
 
Essa proposta "Eco-colonialista" surge em um momento de comoção mundial devido ao relatório do IPCC da ONU sobre o aquecimento global, e soma-se à outras iniciativas imperialistas travestidas de ecologicamente corretas, como o mercado de carbono e o programa norte-americano/brasileiro de biocombustíveis. Todas as iniciativas usam a catástrofe ambiental anunciada como uma cortina de fumaça para encobrir seus verdadeiros interesses, que estão longe de ser preocupações meramente ambientais.  
 

Bakunin Sempre tinha ouvido falar que Proudhon e Bakunin eram maçons, mas nunca havia encontrado algo que comprovasse essa afirmação. Porém, esses dias um amigo enviou-me o link de uma maçonaria laica francesa, o Grand Orient de France, que afirma que Bakunin esteve entre seus membros ilustres, ao lado de Garibaldi e outros esquerdistas.

Dei uma fuçada no site e vi que são um tipo de maçonaria que, até onde eu sei, não existe no Brasil. No Brasil, as tradições maçônicas existentes exigem que o membro seja devoto de alguma religião e também não costumam adotar causas políticas de esquerda. Já o Grand Orient de France, além de laico, adota causas políticas bem progressistas. Por exemplo: no site deles encontrei um tópico que se chama "luta contra a extrema-direita" e outro "direitos dos imigrantes".  Bom, pra aceitar Garibaldi, Bakunin e outros esquerdistas revolucionários como membros nada mais natural que seja uma maçonaria diferenciada.

Abaixo reproduzo um trecho do site que cita Bakunin: 

"Nós somos os herdeiros de homens e mulheres que a sua maneira contribuiram para a melhoria da Humanidade : Voltaire, La Fayette, Garibaldi, Auguste Blanqui, Victor Schoelcher, El Emir Abd El-Kader, Luise Michel, Bakounine, Jean Zay, Félix Eboué, Pierre Brossolette e tantos outros dos quais estamos orgulhosos de saber que enriqueceram com sua presença nossas Lojas. Na verdade, o Grand Orient de France é um defensor que vigia os princípios de sua divisa que é a mesma da República: "Liberdade, Igualdade, Fraternidade". É por isso que o Grand Orient de France está tão unido à liberdade absoluta da consciência garantida pela laicidade das instituiçöes. É por essa razão que o Grand Orient de France se opõe energicamente ao racismo e aos inimigos da democracia."

A seguir algumas das lutas que receberam apoio do Grand Orient de France:

"Já seja pela abolição da escravatura com Víctor Schoelcher, pela criação da escola pública gratuita laica e obrigatória com Julio Ferry, mais próximo a nós a obra de Arthur Groussier com a legislação da Magistratura do Trabalho, a proteção das mulheres e das crianças no trabalho, depois a redução do tempo de trabalho, as férias pagas, etc., são um dos tantos problemas estudados nas Lojas Maçônicas do Grand Orient de France e transformados em Lei da República pelos Homens iluminados e à vanguarda do progresso de seu tempo."